Ronaldo Luís Nazário de Lima, mais conhecido como
Ronaldo,
Ronaldo Fenômeno ou ainda
Ronaldinho (
Rio de Janeiro,
22 de setembro de
1976), é um ex-
futebolista brasileiro que atuava como
atacante.
Já era conhecido como Ronaldo no início da carreira, sendo por algum tempo chamado de Ronaldinho. O diminutivo surgiu na
Copa do Mundo de 1994, quando a
Seleção Brasileira foi com dois Ronaldos; o mais velho, jogador do
São Paulo, tornou-se
Ronaldão. Já o apelido de Fenômeno surgiu na imprensa italiana, na época em que ele defendia a
Internazionale[1][2].
É o maior artilheiro da
história das
Copas do Mundo com quinze gols.
[3] É um dos poucos jogadores que estiveram dos dois lados de duas grandes rivalidades europeias: ele defendeu os
espanhóis Barcelona e
Real Madrid e os
milaneses Internazionale e
Milan.
Iniciou seu caminho no futebol no futsal do
Valqueire Tênis Clube,
[4] transferindo-se cedo para o
Social Ramos Clube do
Rio de Janeiro, para logo em seguida mudar-se para o
São Cristóvão, também carioca. Porém foi no
Cruzeiro que se profissionalizou e alcançou a fama como atleta no segundo semestre de
1993.
Foi considerado pela
Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
[5]
Carreira
Primeiros anos
Ronaldo teve uma infância pobre, embora não miserável.
[1] Apaixonado por futebol, costumava matar aulas em
Bento Ribeiro para dançar no clube
Valqueire Tênis Clube, perto de sua casa.
[4] Chegou a tentar treinar no
Flamengo, mas por não ter dinheiro para pagar as quatro conduções até a sede do time,
[1] foi parar no
São Cristóvão. Além de ser mais perto de sua casa, o próprio clube lhe deu dinheiro para o transporte.
[6]
Aos 14 anos, teve seu passe comprado pelos
empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta por 7.500
dólares.
[1][2] O jovem, que não conseguiu treinar no Flamengo, seria "perdido" por outros dois grandes clubes,
Botafogo e
São Paulo:
para o alvinegro, o emprésario Reinaldo Pitta quis doar 50% do passe do
jovem, que teria uma boa vitrine. Com a negativa, Ronaldo foi oferecido
por 25 mil reais ao tricolor, que quis pagar 15 mil.
[7]
Jairzinho o viu no São Cristóvão e pagou dez mil dólares pelo menino.
[6] Revendeu-o para uma ex-equipe sua, o
Cruzeiro.
A equipe mineira ficou convencida a aceitá-lo após Ronaldo salvar-se em
meio à má campanha da Seleção Brasileira sub-17 que disputou no
campeonato sul-americano da categoria, em que o garoto foi artilheiro
com oito gols,
[8] enquanto o Brasil terminou em quarto lugar e fora do
Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 de 1993, primeira e única vez em que o time não se classificou para o torneio.
Cruzeiro e a Seleção
Foi com 16 anos que Ronaldo fez sua estreia no futebol profissional, defendendo o Cruzeiro, pelo
Campeonato Brasileiro de
1993.
Na Raposa, foi logo tratado como fora-de-série, sendo o primeiro atleta
amador a viver na concentração dos profissionais. Antes do torneio
nacional, Ronaldo havia disputado somente amistosos e partidas de nível
local pelo Cruzeiro, além de acompanhar a delegação do time à
Porto Alegre, onde ocorreria a decisão da
Copa do Brasil, contra o
Grêmio.
[1]
Seu primeiro gol pelo time profissional foi marcado em amistoso contra a equipe
portuguesa d'
Os Belenenses, cuja torcida o aplaudiu de pé ao fim da partida. Voltou da excursão por Portugal despertando interesses
italianos, recebendo a primeira sondagem da
Internazionale de
Milão, recusada mesmo com proposta de 500 mil dólares - uma valorização de 1000% do seu passe em cinco meses.
[1] Já a primeira exibição em rede nacional de televisão foi em
7 de setembro daquele ano, em um jogo do seu clube, Cruzeiro, contra o
Corinthians.
[9][10]
Destaque da equipe cruzeirense naquele Brasileiro, Ronaldo marcou 12
gols no torneio nacional em 14 partidas, tendo sido o terceiro maior
goleador da competição.
[11][nota 1] Em uma de suas memoráveis partidas, o atacante marcou 5 gols contra o
Bahia,
[12] humilhando o celebrado goleiro adversário, o
uruguaio Rodolfo Rodríguez,
que perdeu a bola para ele em um dos gols. Jogando também na equipe
júnior, foi artilheiro do Cruzeiro na Supertaça Minas Gerais e tirou o
clube de um jejum de quatro anos sem vencer o rival
Atlético Mineiro na categoria.
[1]
Ainda naquele ano, o jovem Ronaldo sagrou-se artilheiro da
Supercopa da Libertadores, com 8 gols,
[13] e foi convocado para jogar na Seleção Brasileira sub-17.
[2] A decisão seguinte foi a Recopa Sul-Americana, contra o
São Paulo. Nela, Ronaldo teve seu primeiro grande revés como profissional: a decisão encaminhou-se para os pênaltis e
Zetti defendeu a cobrança do jovem, garantindo o título aos tricolores. O ano terminou com o seu passe valendo 10 milhões de
dólares.
[1]
Na temporada seguinte, em
1994, Ronaldo seguiu mais uma vez como destaque do Cruzeiro. O atacante foi o artilheiro do
Campeonato Mineiro, com 22 gols.
[14] Logo, o jovem jogador chamou a atenção de clubes europeus e, em uma transferência de 6 milhões de
dólares, vai para o
PSV Eindhoven (dos
Países Baixos). Ronaldo deixou o Cruzeiro pouco antes da
Copa do Mundo de 1994, com uma expressiva marca de 44 gols em 46 partidas.
[15]
PSV Eindhoven
No
PSV Eindhoven, dos
Países Baixos, Ronaldo destacou-se mais uma vez como artilheiro, tendo marcado 54 gols em 57 partidas no total. No
Campeonato Neerlandês, mesmo sem dominar a
língua neerlandesa
(o que lhe atrapalhava na comunicação com os colegas), foi artilheiro
com 30 gols, doze a mais que o rival criado pela imprensa para ele,
Patrick Kluivert, dois meses mais velho e jogador do
Ajax. O Ajax, cujo forte time seria campeão da
Liga dos Campeões da UEFA, acabaria campeão também da
Eredivisie - o PSV terminou em terceiro.
[1]
A
Inter de Milão
continuava a rondar - ao final da temporada, em maio, um representante
sondou os dirigentes do PSV, e o próprio vice-presidente foi conversar
com o jogador na véspera de um
Brasil x
Uruguai
(em que ele marcou os dois gols na vitória por 2 x 0). Os interistas,
no momento, acabaram fechando com outro membro da delegação brasileira,
Caio.
[1]
Ainda em 1995, seus primeiros problemas no joelho começaram a se
manifestar. A primeira cirurgia ocorreria em fevereiro do ano seguinte,
após uma ressonância magnética constatar inflamações nos joelhos e
calcificação no direito,
[1] joelho em que passou então por uma "raspagem" na cartilagem.
[2]
Apesar da recomendação de passar por uma recuperação lenta, no final de
abril Ronaldo já estava de volta aos campos, mas frequentando o banco. A
reserva imposta pelo técnico
Dick Advocaat começou a irritá-lo. Ronaldo não perdoaria o treinador após ser usado apenas nos quinze minutos finais da decisão da
Copa dos Países Baixos. O torneio foi conquistado, no que seria a última partida do jovem na equipe da
Philips: voltaria dos
Jogos Olímpicos de Verão de 1996 já como jogador do
Barcelona.
[1]
Barcelona
Eleito melhor do mundo
No meio daquele ano, Ronaldo transferiu-se para o
Barcelona, da
Espanha, por 20 milhões de
dólares, à semelhança de sua dupla de ataque na Seleção Brasileira,
Romário, outro a sair do PSV rumo ao
Barça. Ronaldo faria juz ao dinheiro gasto, fechando o ano de
1996 com dezessete gols em vinte partidas.
[1] Acabaria eleito pela primeira vez o
melhor jogador do mundo pela FIFA. Suas atuações lhe valeram o apelido de
El Fenómeno.
A temporada 1996/97, sua única pelo clube
catalão, encerrou-se sem o título
espanhol, que por dois pontos ficou com o rival
Real Madrid. Ainda assim, Ronaldo, artilheiro do Espanhol com 34 gols em 37 jogos, levantou a
Copa do Rei e a
Recopa Europeia, com gol dele na decisão contra o
Paris Saint-Germain. Feliz na
Catalunha, foi com espanto que divulgou-se que a
Internazionale finalmente conseguira acertar com ele, pagando a multa rescisória de 32 milhões de
dólares;
[1] a razão teria sido a negação do presidente
blaugrana Josep Lluis Núñez em aumentar o salário do atacante.
Internazionale
Surge o apelido "Fenômeno"
Foi na
Inter que o
fenômeno viveu uma de suas piores crises, com a contusão em 2000 contra a
Lazio, e de suas melhores glórias com a conquista da
Copa do Mundo de 2002.
Os empresários Pitta e Martins, que pediram pelo aumento, negociaram com outras equipes
italianas, dentre elas
Juventus e
Lazio, até fechar com a Inter. Ronaldo estava na
Noruega, onde o Brasil faria amistoso contra a
seleção local
(perderia por 2 x 4), quando a transferência foi concretizada, e não
escondeu a decepção em deixar o Barcelona. Ainda assim, declarou-se
feliz com o desafio de jogar na Itália.
[1] O contrato seria assinado em
Santa Cruz de la Sierra, na
Bolívia, onde realizava-se a
Copa América.
A Inter não ganhava o
Campeonato Italiano havia sete anos e Ronaldo, usando a camisa 10 (o seu característico número 9 pertencia ao
chileno Iván Zamorano) não decepcionou o clube: encerrou o ano de
1997 com quatorze gols em dezenove jogos oficiais, e novamente eleito o
melhor jogador do mundo pela FIFA. A entusiasmada imprensa italiana o apelidou de
Il Fenomeno[1][2][16]. Recebeu também a
Bola de Ouro da
France Football (a publicação francesa o ignorara no ano anterior em favor do
alemão Matthias Sammer).
Na Inter, Ronaldo continuou a fazer seus gols e terminaria o campeonato na vice-artilharia, com 25, dois a menos que o alemão
Oliver Bierhoff, mas sendo o estrangeiro que mais gols fez em sua temporada de estreia na
Serie A.
[1] Entretanto, o título seria polemicamente perdido para a arquirrival
Juventus, em um confronto direto em que um pênalti não-marcado de
Mark Iuliano sobre ele repercutiu por semanas no país.
[1] 1997/98 veria como consolação o título da
Copa da UEFA.
As primeiras graves lesões
A temporada 1998/99 começou com a sua convulsão pouco antes da final da
Copa do Mundo de 1998 ainda rendendo comentários. A Inter fez um campeonato ruim e viu o outro rival, o
Milan, ganhar o título. Usando finalmente o número 9 (Zamorano ficou com a camisa 1+8), Ronaldo pouco jogaria pelos
nerazzurri, por diversos fatores: ora tendinite, ora compromissos com patrocinadores (
Brahma,
Parmalat,
Pirelli e
Nike[1]), ora a Seleção Brasileira. 1999/00 seria de menos partidas ainda: em jogo contra o
Lecce, estourou o joelho e teria de esperar cinco meses para voltar aos gramados.
[1]
Ronaldo voltou em
12 de abril de
2000, uma semana após o nascimento de seu filho Ronald, em jogo válido pelas decisões da
Copa da Itália, contra a
Lazio.
Mal entrou em campo, seu joelho direito cedeu no primeiro drible,
saindo do lugar. No dia seguinte, iniciou nova recuperação, desta vez
bem mais lenta: oito meses foram inicialmente previstos, que depois
resultariam em quinze.
2001 veio e Ronaldo continuou sua volta gradual e cuidadosamente. Voltou a jogar oficialmente em partida da
Copa da UEFA, contra o
Braşov, da
Romênia. Pequenas contraturas e estiramentos, entretanto, impediram-no de jogar normalmente naquele ano.
[1]
A temporada 2001/02 prosseguiu com ele sendo utilizado ocasionalmente.
[1]
A Inter liderava o campeonato e poderia finalmente quebrar o jejum, que
se arrastava já havia doze anos. Na última rodada, a adversária seria a
mesma
Lazio que trazia más recordações ao atacante. Acaso ou não, a Internazionale perdeu por 2 x 4 e a taça parou na rival
Juventus. Substituído no decorrer do jogo, Ronaldo chorou para as câmeras.
Tempos de mudança vieram após a surpreendente
Copa do Mundo de 2002.
Milão
recebeu de braços abertos o comandante do pentacampeonato da Seleção
Brasileira. Ronaldo, entretanto, começou a forçar a sua saída. A razão
seria a permanência do técnico
Héctor Cúper, a quem acusava de usá-lo em campo sem condições físicas. Ronaldo deixou a Inter tendo ganho apenas uma
Copa da UEFA em cinco anos, com a torcida sentindo enorme ingratidão do brasileiro: para eles, o atacante virou
Il Fuggitivo,
[1] ainda mais em função de que outra razão para a saída seria a insatisfação do jogador em receber menos que os colegas
Álvaro Recoba e
Christian Vieri.
Real Madrid
Inicialmente, Ronaldo se ofereceu à sua ex-equipe, o
Barcelona. Em crise, o clube
catalão não podia arcar com a multa rescisória. O rival
Real Madrid então veio e, por 39 milhões de
euros, o levou em
31 de agosto de
2002, quando se esgotava o prazo para as inscrições na temporada 2002/03.
Estreou no clube merengue em partida contra o
Alavés.
Marcou duas vezes em vitória por 4 x 2. Apesar da ótima estreia,
sofreria com vaias nos jogos seguintes, em decorrência da frequência
apenas razoável de gols, e também pelo fato de que seus substitutos
contumazes -
Fernando Morientes,
Guti e
Javier Portillo
- costumarem marcar nos poucos minutos em que tinham em campo.
Substituições, por sinal, frequentes: nos 35 primeiros jogos em que fez
pelo Real, saiu no decorrer de 22 partidas.
[1]
Mesmo eleito pela terceira vez o
melhor jogador do mundo pela FIFA ao final de
2002, as vaias só sossegaram após sua grande atuação contra o
Manchester United, na
Liga dos Campeões da UEFA. Na casa do adversário, em
Old Trafford, Ronaldo marcou três vezes na derrota por 3 x 4, que classificou o time às semifinais.
[17] Entretanto, novamente a
Juventus apareceu-lhe: o clube italiano acabou eliminando os
blancos nas semifinais. A frustração foi compensada com o título
espanhol, o primeiro campeonato nacional em que Ronaldo saboreou conquistar. O troféu, disputado acirradamente com a
Real Sociedad, foi garantido com vitória sobre o
Athletic Bilbao com dois gols dele, que, com 23 tentos, foi o artilheiro da Liga.
Ronaldo foi a terceira contratação dita
galáctica do time madrilenho: os dois primeiros foram seu ex-colega de
Barcelona,
Luís Figo, em
2000; e o
francês Zinédine Zidane, em
2001. O clube reunia ainda as estrelas mundiais
Raúl e
Roberto Carlos. A temporada de 2003/04 começou com um novo galáctico, este em que o peso das receitas de
marketing eram assumidamente maiores do que o da técnica:
David Beckham.
[18]
O estelar elenco acabaria naufragando nos torneios: ficou apenas em quarto no Espanhol, perdeu a decisão da
Copa do Rei para o fraco
Real Zaragoza e, na Liga dos Campeões da UEFA, caiu ante ao futuro vice-campeão
Monaco.
O jejum continuou na de 2004/05 e 2005/06; para piorar, foram
temporadas em que o rival Barcelona conseguiu o título espanhol em
ambas, além da Liga dos Campeões da UEFA na segunda.
A temporada 2006/07 começou sem
Florentino Pérez,
responsável pelas contratações galáticas, na presidência, e com o clube
preocupando-se em voltar aos títulos. Ronaldo passou a ser sombreado
pela contratação de
Ruud van Nistelrooy.
[19] Sem espaço, constantemente criticado pelo seu peso, Ronaldo decidiu deixar o Real no decorrer da temporada.
Milan
Acertou sua volta à
Milão, mas não na Internazionale e sim em um rival: o
Milan. A transferência foi oficializada em
18 de janeiro de
2007 pela bagatela de 7,5 milhões de
euros, e Ronaldo recebeu a camisa de número 99, já que a 9 já pertencia a
Filippo Inzaghi.
O Milan tinha poucas condições de vencer o
Campeonato Italiano: iniciara a competição com oito pontos negativos, como punição do envolvimento do clube no que ficou conhecido como
Calciocaos, escândalo de manipulação de resultados. Na
Liga dos Campeões da UEFA,
Ronaldo não poderia jogar: o regulamento impedia que um mesmo jogador
defenda duas equipes diferentes, e ele já havia atuado pelo Real.
Acabaria assistindo das tribunas os colegas vencerem o torneio. No
Milan, ele voltou a deixar crescer os cabelos, em uma forma de
diferenciar-se dos tempos de
Internazionale, onde ostentava uma careca bem raspada.
A estrutura do clube
rossonero permitiu-lhe descobrir que possuía
hipotireodismo, razão de sua engorda. Ronaldo tratou o problema e iniciou a temporada 2007/08 cinco quilos e meio mais magro.
[20] O Fenômeno também formou um trio com os compatriotas
Kaká e
Alexandre Pato denominado
Ka-Pa-Ro.
A promissora temporada, entretanto, acabaria para ele em
13 de fevereiro de
2008, no jogo contra o
Livorno. Após substituir
Gilardino
no segundo tempo, Ronaldo, em sua primeira participação no jogo, acabou
se lesionando na hora de um salto, saindo de campo em seguida chorando,
em uma noite que relembrou a ocasião em que lesionou o joelho contra a
Lazio, em
2000.
[21] A temporada 2007/08 encerrou-se com Ronaldo parado e desligado do Milan, que decidiu não renovar o seu contrato.
Treinamento no Flamengo
Após sua saída do Milan, Ronaldo manifestou algumas vezes o desejo de defender o
Flamengo, do qual é torcedor declarado. O craque chegou a treinar no clube da
Gávea a partir de setembro
[22]
para recuperar-se da cirurgia no joelho. Já havia sido sondado pelo
time do coração no início do ano, quando o Flamengo estava fazendo
propostas para a disputa da
Copa Libertadores da América.
[23] Na ocasião, porém, as conversas não prosseguiram.
Já há vários dias no centro de treinamento do Flamengo, ao que
parecia ele voltaria ao futebol europeu, onde havia boatos de sua
contratação pelo
Manchester City,
[24] da
Inglaterra, e o
Paris Saint-Germain,
[25] da
França.
Corinthians
A princípio, o interesse do Corinthians na contratação de Ronaldo foi tratado como algo impossível no
Parque São Jorge. Em uma reunião para falar sobre a permanência do atacante
Morais
na equipe corintiana, também empresariado por Fabiano Farah, o assunto
Fenômeno surgiu na pauta. Após vários dias treinando na Gávea e sem
receber nenhum projeto para ficar no clube,
[26] Ronaldo acertou a sua volta ao Brasil depois de 14 anos
[27] pelo
Corinthians.
[28][29] Em
9 de dezembro de
2008, o anuncio da contratação do Fenômeno foi feito pelo presidente corintiano
Andrés Sanchez através do site oficial do clube. Em
12 de dezembro, a diretoria organizou uma festa pela chegada do jogador no clube com a presença de torcedores no
Estádio Alfredo Schürig.
[30] Ronaldo assinou oficialmente o contrato em
17 de dezembro.
[31] De acordo com o contrato, o atacante receberia o valor fixo de 400 mil
reais mais o valor do patrocínio na camisa do clube, onde 20% seriam do patrocinador principal e 80% da manga e calção.
Durante os primeiros dois meses no Corinthians, Ronaldo realizou
trabalhos físicos para que pudesse ter condições para retornar aos
gramados. Aos poucos, o jogador começou a treinar junto aos demais
atletas do elenco corintiano
[32] e aumentavam as expectativas para sua reestreia no futebol brasileiro.
[33]
No dia
4 de março de
2009, Ronaldo fez seu retorno ao futebol em partida contra o
Itumbiara pela
Copa do Brasil. O jogador, que começou o jogo entre os reservas, jogou por vinte e sete minutos durante o segundo tempo.
[34][35]
Na partida seguinte, no clássico contra o
Palmeiras, em
8 de março de 2009, pelo
Campeonato Paulista o técnico
Mano Menezes
novamente deixou Ronaldo entre os reservas e o colocou durante o
segundo tempo. E aos 47min do segundo tempo, o "Fenômeno" marcou seu
primeiro gol como jogador do Corinthians (de cabeça, após cobrança de
escanteio realizada por
Douglas), gol este que assegurou o empate contra a equipe palmeirense.
[36][37] O gol foi assunto em vários portais de notícias em todo o mundo.
[38] Três dias depois, em sua terceira partida após seu retorno ao futebol, contra o
São Caetano,
Ronaldo foi escalado pela primeira vez como titular. Além de jogar
durante mais de 80 minutos, o atacante marcou o gol da vitória
corintiana.
[39][40]
Nesta campanha do Corinthians no Campeonato Paulista, Ronaldo
mostrou-se um dos principais jogadores da equipe, mesmo muito acima do
seu peso ideal, marcou oito gols nas dez partidas que disputou,
[41]
e novamente chamou a atenção internacional por suas atuações
destacadas, especialmente na segunda partida da semifinal contra o
São Paulo[42][43][44] e na decisão contra o
Santos, onde o Corinthians sagrou-se campeão do Paulistão daquele ano.
[45][46][47][48] Ainda neste mesmo ano, foi fundamental para o título da
Copa do Brasil, marcando um gol na partida de ida da decisão, contra o
Internacional, e garantindo a vaga para a
Copa Libertadores da América do ano seguinte. Finalizou sua primeira temporada no
Timão com um total de 23 gols, sendo 12 deles pelo
Campeonato Brasileiro.
O ano de
2010 não foi tão bom para Ronaldo. Em má forma e sofrendo com seguidas
lesões, o
Fenômeno entrou em campo poucas vezes naquele ano e viu o Corinthians ser eliminado pelo
Flamengo na
Libertadores, principal ambição do clube no ano de seu
centenário. Neste ano, foram apenas 27 partidas realizadas pelo jogador, sendo onze pelo
Campeonato Brasileiro, onde marcou seis gols.
Jogando com a camisa do Corinthians, Ronaldo foi campeão logo nos dois primeiros torneios que disputou:
Campeonato Paulista 2009 e
Copa do Brasil 2009.
Além dos resultados esportivos, a parceria entre Ronaldo e Corinthians
também rendeu fora de campo, onde o valor de patrocínio do clube chegou a
30 milhões de
reais, maior valor pago a um clube brasileiro na história.
[49] Porém, o principal propósito do time corintiano, a
Copa Libertadores da América, não foi conquistado pelo jogador, já que o time foi eliminado pelo
Flamengo em
2010, devido a
regra do gol fora de casa, e pelo
Deportes Tolima em
2011, ainda na fase preliminar, conhecida como Pré-Libertadores.
Todos os gols de Ronaldo pelo Corinthians:
[Expandir] |
Data |
Local |
Placar |
Resultado |
Adversário |
Gols |
Competição |
Aposentadoria
Após a desclassificação precoce na
Copa Libertadores da América de 2011, Ronaldo não conseguiu mais suportar suas dores físicas, e decidiu anunciar oficialmente a sua aposentadoria em
14 de fevereiro de
2011, numa
coletiva de imprensa. Segundo ele, sua aposentadoria se deu pelo fato de estar enfrentando seguidas
lesões, inclusive revelando que sofria
hipotireoidismo,
um disturbio metabólico que desacelera o metabolismo e dificulta a
perda de peso. O jogador afirmou que o problema poderia ser resolvido
com ingestão de hormônios, porém, esta prática é proibida no futebol, e
acarretaria numa suspensão por doping.
[50][51][52] Porém, médicos discordam que o tratamento seja confundido com doping
[53] e o próprio médico do clube Corinthians afirmou que Ronaldo não tinha esta doença
[54]. Além do mais esta doença evita emagrecer mas não engorda.
[54]
 |
Depois de mais uma lesão,
eu refleti muito em casa e decidi que era o momento. Que não ia esperar
mais e tinha realmente dado o máximo que eu nunca imaginei que poderia
chegar. É muito duro abandonar o que te deixa feliz, tem tanto amor e
poderia seguir porque mentalmente e psicologicamente ainda quero muito.
Mas também tenho que assumir algumas derrotas. Eu perdi para o meu
corpo.[55] |

— Ronaldo, sobre sua aposentadoria.
|
Seleção Brasileira
O início
Ronaldo recebeu as primeiras convocações para as seleções de base do
Brasil quando ainda estava no
São Cristóvão. Foi artilheiro do Campeonato Sul-Americano de juniores na
Colômbia, em
1993,
[1] sendo o único destaque individual do time que terminou apenas em quarto lugar e fora do
Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 de 1993.
[8] Recebeu a primeira chance na principal em março de
1994, às vésperas da
Copa do Mundo naquele ano, em jogo contra a
Argentina.
Foi usado também em amistoso contra a
Islândia em maio, o último antes da convocação a ser feita pelo técnico
Carlos Alberto Parreira.
Ronaldo marcou um dos gols na vitória por 3 x 0 e foi incluído pelo
treinador entre os 22 convocados, desbancando o experiente
Evair. Já nos
Estados Unidos,
entretanto, não agradou a Parreira nos treinamentos, e foi deixado de
lado. Na decisão, muitos já pediam pelo garoto de dezessete anos, o mais
jovem daquele mundial, mas Parreira preferiu chamar do banco
Viola.
[1]
Ainda assim, o jogador, campeão sem jogar, já despertava certezas de seu potencial.
Enzo Bearzot, técnico da
Itália na vitoriosa
Copa do Mundo de 1982, já o chamava de "fenômeno",
[1]
e o pensamento geral era de que o garoto triunfaria na Copa seguinte.
Um ano depois, Ronaldo conseguiu seu primeiro troféu com a Seleção
principal, em um torneio amistoso organizado pela
Umbro entre as Seleções cujos uniformes eram feitos pela empresa
britânica. Ele marcou um dos gols no 3 x 1 contra a
Inglaterra, em pleno
Wembley, na decisão.
[1] Em
1995, ainda sem espaço, integrou o grupo que disputou e perdeu a
Copa América daquele ano, para o anfitrião
Uruguai.
Já como seu lugar Seleção, retornou com a delegação brasileira aos
Estados Unidos, agora para participar das
Olimpíadas de 1996. Devido à recuperação da lesão que lhe tirara lugar no PSV, Ronaldo foi poupado da partida inaugural, com o técnico
Zagallo escalando
Sávio em seu lugar. Como o Brasil vergonhosamente perdeu para o
Japão, foi escalado como titular já no segundo jogo.
[1] Nos Jogos de
Atlanta, Ronaldo marcaria cinco gols e seria um dos poucos poupados
[1] quando o Brasil caiu nas semifinais perante a
Nigéria, restando um bronze decepcionante.
Como a grande estrela
Um ano depois, agora uma estrela mundial, vindo de grande temporada no
Barcelona, Ronaldo jogou a
Copa América de 1997 e voltou campeão, com cinco gols marcados, jogando contra a anfitriã, a
Bolívia, na altidude de
La Paz (em que ele marcou uma vez na vitória de 3 x 1). Pouco depois, participou ativamente do primeiro título do Brasil na
Copa das Confederações de 1997.
Todavia, tinha de conviver em meio à conquista com um séquito de
jornalistas à caça de sua imagem, tirando-lhe bastante espaço,
tranqulidade e calma.
[6] Um ano depois, sendo o principal personagem e referência da seleção - ainda mais após o corte de
Romário -, jogou pela primeira vez uma
Copa do Mundo.
O
mundial da França, no ano seguinte, prometia ser a sua consagração. Ronaldo, que foi ao torneio como duas vezes o
melhor jogador do mundo pela FIFA, marcou quatro vezes: um contra o
Marrocos (3 x 0), na primeira fase; dois contra o
Chile (4 x 1), nas oitavas; e um contra os
Países Baixos (1 x 1), nas semifinais, tendo ainda acertado a sua cobrança na decisão por
pênaltis nesta partida. Tudo isso a despeito de sofrer com
lesões
na perna (que ele tratava com analgésicos), agravadas na partida contra
o Marrocos; na Copa de 1998, Ronaldo deu arranques curtos seguidos por
períodos de quase apatia em campo. A mídia também não ajudava: durante o
torneio, mais de mil jornalistas andavam atrás do astro, bem como os
patrocinadores.
[6]
Horas antes da decisão, contra a anfitriã
França, Ronaldo foi abatido por uma misteriosa
convulsão,
diagnosticada desde como estresse até como ataque epilético. Deixou o
hospital onde foi levado apenas 75 minutos antes da partida. Vendo que
seu principal jogador não tinha condições de jogo, Zagallo optou por
escalar
Edmundo
em seu lugar, mas o próprio Ronaldo apareceu, a 40 minutos do início da
partida, declarando-se apto, o que dividiu o grupo entre aqueles que
defendiam não mais alterações na escalação, já divulgada, como aqueles
que queriam a inclusão do Fenômeno entre os finalistas titulares.
[6]
Ronaldo mal andou em campo, apenas observando os franceses ganharem
por 3 x 0 e levarem pela primeira vez a Copa. O assunto continuou a
render por muito tempo, sendo abordado até quando Ronaldo foi chamado a
comparecer em uma
CPMI, em
2001.
[1]
Uma provável causa foi os altos níveis de estresse decorrentes da
pressão exercida pela imprensa, patrocinadores e da torcida brasileira,
que esperava muito dele.
[6]
Como na Copa de 1998, na
Copa América de 1997 e nas Olimpíadas de 1996, marcou outros cinco gols na
Copa América de 1999, dois deles contra os rivais
Argentina (2 x 1, quartas-de-final) e
Uruguai (3 x 0, decisão). Afastado dos jogos da
Internazionale devido ao joelho estourado, acabou não chamado para a
Copa das Confederações de 1999, em que o Brasil perdeu o título para o
México. Seguidas lesões no joelho, a mais grave em
2000, foram lhe afastando também da Seleção.
Renascendo para a Seleção e o futebol
Sem ritmo de jogo e com uma imensa cicatriz no joelho direito, foi ainda assim chamado para a
Copa do Mundo de 2002 por
Luiz Felipe Scolari. Depois de dois anos, voltou a jogar pela Seleção em março, em amistoso contra a
Iugoslávia. Voltou a marcar no final de maio, contra a
Malásia.
[1] A Copa veio e o Fenômeno ressurgiu, marcando oito vezes, deixando de anotar um tento apenas contra a
Inglaterra. A artilharia do mundial incluiu os dois gols na decisão, contra a
Alemanha.
A campanha na Copa foi determinante para que ele voltasse a ser
levado seriamente, bem como para que recebesse pela terceira vez o
prêmio de
melhor jogador do mundo pela FIFA, ao final do ano. Ronaldo voltou a ser intocável na Seleção, o que incluiu regalias dadas pelo técnico
Carlos Alberto Parreira, que o dispensava de competições menos priorizadas, costumando chamá-lo apenas para as Eliminatórias para a
Copa do Mundo de 2006.
Quatro anos se passaram sem que Ronaldo disputasse algum torneio pelo
Brasil, só sendo chamado por conta do mundial da Alemanha. Na ocasião,
ele já não era a maior estrela do Brasil, e sim seu xará e fã
Ronaldinho Gaúcho, com quem compunha o "Quadrado Mágico", ao lado de
Kaká e
Adriano.
Na Copa, o país apresentou um futebol decepcionante. Ronaldo foi ao
torneio longe da melhor forma física. Ainda assim, demonstrou lampejos
de craque, marcando três vezes. O terceiro deles, que o fez ultrapassar o
alemão
Gerd Müller
e tornar-se, com a soma de quinze gols, o maior artilheiro das Copas do
Mundo, surgiu em bela jogada individual em que driblou o goleiro de
Gana.
A partida, válida pelas oitavas-de-final, terminou com vitória
canarinha por 3 x 0 e abriu esperanças de uma revanche contra a
França de
Zinédine Zidane, carrasco do mundial de 1998 e colega de Ronaldo no
Real Madrid.
Os brasileiros, entretanto, jogaram apaticamente contra os franceses,
e Zidane exibiu sua melhor forma, chegando a realizar um drible de
chapéu em Ronaldo. O Brasil terminou eliminado ali e o Fenômeno foi um
dos crucificados pela interrupção do sonhado hexacampeonato, não sendo
mais chamado pela Seleção desde então.
Pós-carreira
Após sua aposentadoria da carreira como
futebolista, em fevereiro de
2011, Ronaldo passou a dedicar-se ao ramo
empresarial,
[56] fundando a
9ine, uma empresa de
marketing esportivo
responsável por gerenciar carreiras de esportistas. Atualmente, a
agência conta com nomes de peso do esporte mundial, como os também
futebolistas
Neymar e
Paulo Henrique Ganso e o
lutador Anderson Silva.
[57][58] O "Fenômeno" já anunciou que futuramente a empresa pretende expandir seus negócios e agenciar também
artistas e
cantores.
[59] Em 1 de dezembro de
2011, o presidente da
Confederação Brasileira de Futebol (CBF),
Ricardo Teixeira, confirmou que Ronaldo será também membro do comitê organizador da
Copa do Mundo FIFA de 2014, que será realizada no
Brasil.
[60]
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Esse Ronaldo que o povo brasileiro idolatra é voz perfeita para o momento de conciliação em torno da Copa de 2014. |

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A função de Ronaldo na organização da Copa do Mundo é, de fato,
importante. Tanto que a notícia chegou ao presidente da entidade máxima
do futebol, a
FIFA.
Joseph Blatter se disse muito satisfeito com o "compromisso de Ronaldo de contribuir para o sucesso da Copa do Mundo".
[61] Em 14 de fevereiro de
2012, Ronaldo comemorou o primeiro ano desde sua aposentadoria do futebol num jantar para amigos realizado em
São Paulo.
[62]
Polêmica
Nas passagens pelos clubes
Real Madrid,
Milan e
Corinthians
Ronaldo conviveu com diversas críticas por seu excesso de peso,
presença em festas e até mesmo pelo fato de ser fumante. Em seus últimos
meses de Corinthians, sofreu severas críticas da torcida, que cobrava
mais empenho e dedicação.
Na Europa, criou polêmica ao vestir as camisas de Barcelona e Inter de Milão, e depois jogar pelos rivais Real Madrid e Milan.
Durante toda sua carreira, a grande polêmica protagonizada por Ronaldo aconteceu na madrugada do dia
28 de abril de
2008, quando passava férias no
Rio de Janeiro. Depois de uma festa na
Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, na qual comemorava uma vitória do
Flamengo, Ronaldo passou pela
orla
da Barra, e chamou o travesti André Luiz Ribeiro Albertini, conhecido
como Andréia Albertini, a quem levou para o motel Papillon. A eles se
juntaram ainda outros dois travestis. Ainda no motel o travesti decidiu
chantagear Ronaldo
[63]
No fim de 2008, o caso chegou aos tribunais. André chegou a dizer que
Ronaldo procurava drogas e posteriormente foi acusado formalmente por
extorsão contra o jogador.
Em
3 de outubro de
2008 o apartamento em que morava Albertini pegou fogo, morrendo um travesti que era seu colega de quarto.
[64]
André Albertini morreu no início de julho de
2009, aos 22 anos,
[65] na cidade de
Mauá, devido a uma
meningite[66] — de acordo com o hospital que a atendeu, a meningite se manifestou pelo do enfraquecimento do
sistema imunológico em decorrência de
AIDS.
[67][68]
Já aposentado, Ronaldo passou ser questionado por suas relações políticas e comerciais com
Ricardo Teixeira.